25 de ago de 2008

A quem interessar, possa...

Enfim, mais um semestre começou!!! E as neuroses voltaram todas com mais força. Agora, o assunto nas rodinhas de conversa é um só: o término da faculdade! Aproxima-se a data do fim, e eu não estou preparado ainda pra terminar... Não sei. Estou com medo! Este período é o 7º, semestre que vem é o 8º. Talvez me forme no 9º, quem sabe... Depois é a vida que toma conta! Não sei se fiz a escolha certa. Não sei se estou preparado pra encarar os outros lá fora. Será que sei depender de mim?
Preciso ouvir música!!!

7 de ago de 2008

Un Homme et Une Femme - Claude Lelouch (1966)

Amigos!
Eu ODEIO casais felizes, acho que a felicidade um TÉDIO sem fim e não acredito no amor eterno ou num casamento duradouro. Me dói mais ainda o discurso de quem está apaixonado... Arggggg!!!! Mas, convenhamos, quando a gente vê uma cena como esta, não dá vontade de sair por ai amando...

4 de ago de 2008

Crítica - Como me tornei um estúpido: texto inteligente e encenação competente

O que levaria um indivíduo profundamente inteligente, mas com tendências depressivas, a assumir uma atitude radical de, da noite para o dia, querer se tornar um exímio e completo ignorante? E se esta pessoa em questão é um jovem, na faixa dos seus vinte e cinco anos de idade, que por causa dessa enorme sapiência e leitura apurada do mundo, apresenta-se como um idoso de espírito?

Questionamentos como estes assombram e perturbam o personagem Antonin no espetáculo Como Me Tornei Um Estúpido, em cartaz no Café Cultural em Botafogo. Inspirado no romance do francês Martin Page, esta comédia acompanha a trajetória pela qual o problemático protagonista percorre, a fim de tornar-se literalmente um estúpido, pois Antonin acredita que sua profícua intelectualidade o afasta das demais pessoas que o cercam, decidindo a sofrer, na própria pele, o carma vivenciado por aqueles que se embriagam, que decidem se suicidar ou que procuram outra profissão na vida, diferentemente daquela que estudou e se especializou na universidade, ocupação esta definida pelo próprio Antonin como estúpida.

O conjunto da encenação é bastante simples, adequado ao pequeno espaço onde é representado. A transposição do texto literário ficou a cargo de Morena Cattoni, também diretora do espetáculo, que optou por não adequar o romance de ficção ao padrão formal de um texto dramático tradicional (caracterizado pela construção de personagens determinados psicologicamente e que possuam um discurso definidor de suas personalidades). No interior da cena, a narração dos episódios misturam-se aos instantes dramatizados pelos diálogos. Os atores revezam-se na enunciação da narrativa, ora falando diretamente para o público, ora introduzindo-a na ação cênica dos personagens. O relato e a vivência deste relato estão distribuídos de forma harmoniosa.

Como o lugar teatral é limitado, a definição do espaço cênico se dá pela manipulação de cubos usados pelos atores na representação. Não há um cenário específico. Antonin transita por um bar, onde decide, sem resultado, tornar-se alcólatra; pratica um curso que ensina como se tornar um suicida de sucesso (um dos melhores quadros do espetáculo) e decide procurar uma namorada numa agência de relacionamentos. Isto só para citar alguns exemplos. Outros adereços cênicos, assim como certa indumentária que auxilia na composição do figurino também ajudam a determinar a situação vivenciada pelo protagonista.

Os quatro atores que dão vida aos diversos personagens do espetáculo são Fred Araujo, Julia Deccache, Marcelo Frankel e Vívian Queirós. Todos eles revezam-se no papel de Antonin, impregnando-lhe caracteres diferenciados. Fred Araújo é o que melhor encarna o protagonista, mostrando intensidade e forte presença de palco. A mesma postura o possui quando interpreta papéis menores. Julia Deccache está brilhante no papel da professora do curso de suicídio. Marcelo Frankel apresenta, no conjunto da representação, um fraco domínio de modulação vocal. Seu Antonin é por vezes monocórdio. Pode ser que, durante o tempo em que a peça estiver em cartaz, ele encontre o colorido, a variação necessária que as falas do protagonista precisam ter. Vivian Queiroz mantém atuação discreta. Sua versão de Antonin, assim como seu desempenho nos papéis secundários são satisfatórios. Ressalvas à parte, o entrosamento entre eles permite o bom andamento do espetáculo, prendem a atenção da platéia, assim como obtém as piadas no tempo certo. Méritos também da direção do espetáculo.

A predileção por encenar textos não escritos especificamente para o teatro é sempre um desafio para aqueles que se propõem a fazê-lo. A escolha do que vai ser levado à cena requer uma atenção redobrada na hora de transpor de um gênero para o outro. Mesmo com as limitações que o espetáculo enfrenta, a peça é uma boa pedida para quem quiser se divertir desfrutando de um texto divertido e inteligente.

2 de ago de 2008

Crítica - Mario Bortoloto no Rio de Janeiro

Maldito, marginal, underground, a passagem do ator e dramaturgo paulista Mario Bortoloto, que ficou em cartaz no Teatro Ziembinski durante quatro semanas com a 2ª Mostra Cemitério de Automóveis, com os espetáculos Chapa Quente, Efeito Urtigão, Kerouac e A Queima Roupa, despontou num momento necessário em que paira sobre esta caretíssima temporada carioca uma certa padronização de gêneros teatrais cujas fórmulas, já conhecidas por todo público, são garantias de sucesso absoluto e se estendem por anos e anos e anos.



Esta não é a primeira vez que a trupe toma de assalto o teatro localizado no tradicional bairro tijucano. Em 2005 eles estiveram aqui apresentando espetáculos como O Que Restou do Sagrado e Getsêmani, para citar dois exemplos. A dramaturgia de Bortoloto é visceral, violenta. Seus personagens são tipos quase inumanos, grotescos, sem qualquer espaço pra divagações do tipo moral, que vivem numa metrópole onde o lema de vida é: cada um por si e Deus por todos. Nem o Todo Poderoso sequer tem noção do leão que seus filhos matam, diariamente, para conseguir o aval da sobrevivência.











Ali, o palco serviu de tribuna para os lavadores de carro, policiais corruptos, mauricinhos e patricinhas, ex-detentos que saem pior do que quando entraram na penitenciária, pilantras disfarçados de trabalhadores, traficantes, todo núcleo que compõe sempre as melhores páginas policiais dos jornais e noticiários de tv especializados no assunto. É interessante notar como estes personagens parecem habitar, todos eles, o mesmo bairro, ou o mesmo prédio caíndo aos pedaços, ou o mesmo pé sujo, com se eles se conhecessem mesmo de vista ou se esbarrassem em alguns momentos de suas vidas. Considero a visita de Mario Bortoloto mais uma vez necessária pra quebrar a monotonia cor de rosa dos nossos palcos. Precisamos de mais rock'nroll na veia. Precisamos ser mais audaciosos nos temas e nos assuntos tratados. Esperemos ansiosos uma terceira mostra desse cara que é o hardcore do teatro brasileiro atual.

1 de ago de 2008

Crônica - O Eterno Retorno do Batman

Ainda não assisti ao novo filme do Batman que está em cartaz nos cinemas. Alias, eu confesso a vocês que nunca fui fã de nenhum destes heróis em quadrinhos que, de uns tempos pra cá, têm ganhado espaço na tela grande. Lá longe, nas poeiras de minhas reminiscências televisivas, lembro-me do seriado do Incrível Hulk, mas o meu interesse ficou perdido por lá mesmo. Não me tornei nem um adolescente fissurado, nem um adulto nostálgico. Na verdade, só depois de burro velho é que fui me interessar pela saga dos mutantes dos X Men - isso depois de ter assistido ao segundo filme da série. Sim, porque eu não assisti a série na ordem cronológica: o primeiro, depois o segundo, depois o terceiro. Pelo contrário! Também só fui conferir a película por dois motivos: Um, porque eu, na época, trabalhava no cinema do Shopping Iguatemi na ingrata função de auxiliar de portaria - ou lanterinha se preferir. Então, entre uma sessão e outra, lá estava eu, conferindo as peripércias de Volverine e companhia, se bem que eu torcia mais para o Magneto e sua trupe de mutantes malignos. Dois, eu li a crítica muito bem escrita e elogiosa do Rodrigo Fonseca quando ele ainda escrevia pro JB. Pronto, só por causa disso, só pelas quatro ou cinco estrelas que o filme ganhara dos enfurecidos críticos ou só porque o bonequinho estava aplaudindo de pé, eu me achei no direito de engolir o orgulho e encarar um pipocão hollywodiano, numa sala abarrotada de adolescentes idiotas que não costumam se comportar num cinema. Juntei-me aos selvagens em plena efervecência hormonal e no fim estava gritando e tacando pipoca no primeiro cabeção que me atrapalhasse a visão. Hoje, sempre que posso, paro e assito os desenhos da série que passam na televisão, no ingrato horário do inicio da tarde. Mas, voltando ao Batman! Eu me lembro que, quando eu era criança (se não me falha a memória, o ano era 1986 ou 87) no SBT - na época era TVS - o seriado do homem morcego - aquele dá década de 60, com o Adam West - o adiposo Batman - e Burt Ward no papel de Robin - revezava o horário da noite com o já idoso Chaves. E entre um pow, um sock, um slap da vida, deixei de lado o interesse em acompanhar suas andanças pelas noites perigosas e cheias de ciladas de Gothan City. Mas parece que o interesse está voltando. E é engraçado como os nossos renomados formadores de opinião têm comentado sobre este novo filme que estreou recentemente em circuito. Lendo hoje a coluna do Veríssimo, me deparo com uma frase do tipo: "Está aí, um super herói do iluminismo". Sua coluna de quinta feira passada (31/07) intituladaPoderes é necessariamente uma análise aprofundada na psiquê do herói noturno, divagando entre outos assuntos, sobre filosofia, moral e ética... Acho que já descobri o que fazer neste fim de semana.