12 de jul de 2009

Crítica - Metafísica, filosofia, arte... substância ou vibração? Divagações de um sujeito inumano

A teoria da arte no século XX é pautada pela quebra de paradigmas, pela incerteza das teorias e pelo questionamento de todos os valores morais (fundamentados à partir de uma mentalidade altamente burguesa) que aprisionaram a sociedade ocidental durante a hegemonia radical e perversa do pensamento judaico-cristão.

Depois de duas grandes guerras, o artista não podia mais continuar contemplando a vida, ou melhor, a destruição da mesma. O homem se desintegrou. A identidade deste sujeito descobriu-se múltipla, analisada sob diversas perspectivas. O EU tornou-se uma ilusão. E a matéria? Tudo isso que envolve e dá suporte a este sujeito cindido, do que ela é formada?

A crise da dúvida também afeta a produção do saber contemporâneo, quando relatos de pesquisadores, comprometidos com a física moderna, nos chegam afirmando que tudo que forma a matéria, na verdade, são compostos de átomos passíveis de vibrações. Então os átomos não são elementos sólidos? A mesa, a cadeira, as massas que ocupam lugar no espaço, a natureza, o sol, os astros, são formados de partículas que interagem formando ondas? Como assim? Percebem que o paradigma do pensamento científico caminha para uma mudança? Então a arte também tem que acompanhar esta evolução do modo de pensar.

E talvez seja este o nosso propósito quando aceitamos participar do Projeto OH: Sobre a contemporaneidade do som, que vai acontecer no dia 15/7/2009, no Espaço Cultural Sérgio Porto. Ali, gritaremos para o mundo que a lógica não é soberana e que as sensações de nossos corpos também podem reger partituras de movimentos que criam outros sentidos, não o racional, o que satisfaz o espírito, mas aquele que nos impulsiona, que nos faz agir ou que nos mobiliza para uma vontade de reagir. Esta é a busca pelo som inarticulado, portador de uma pulsão que toma de assalto nossos orgãos sensoriais, produzindo movimentos, satisfazendo a natureza de nossa vontade que responde, criativamente, por meio de modulações variadas: alto, greve, médio e por ai vai.

Parece loucura, mas este é o princípio que norteia a minha arte, ou a arte daqueles que buscam a essência das coisas, e que não se satisfaz somente com o belo, com a separação da arte e da vida, que se contenta com a superficialidade que determinados segmentos artísiticos contemporâneos insistem em empurrar guela abaixo, cobrando ingressos caríssimos para contemplar a mediocridade de espetáculos que propagam a felicidade imitando, aqui, o modelo estrutural de outros países, que cantam e dançam para uma plateia morta e que se acham cultas só porque frequentam estes teatros.


Quatro Sonetos à Afrodite Anadiómena. (Poemas do português contemporâneo Jorge de Sena)
Com Guto Urbieta, Jackie Netzach, Michelly Barros e Pedro Allonso
Concepção: Jackie Netzach,
Seleção de texto: Eduardo Camenietzki,
Orientação: Elielson Barros,
Intervenção que mescla poesia e seus estímulos sonoros e corporais.


SERVIÇO OH
Espaço Cultural Sérgio Porto
Endereço: Rua Humaitá, 163 - Humaitá
Data: 15/07/2009
Horário: 19h
Preço: R$ 4
Classificação: Livre
Informações: 21. 2266.0896

Evento OH, dia 15/7, às 19h no Espaço Cultural Sérgio Porto


Quatro Sonetos à Afrodite Anadiómena. (Poemas do português contemporâneo Jorge de Sena)
Com Guto Urbieta, Jackie Netzach, Michelly Barros e Pedro Allonso
Concepção: Jackie Netzach,
Seleção de texto: Eduardo Camenietzki,
Orientação: Elielson Barros,
Intervenção que mescla poesia e seus estímulos sonoros e corporais.

SERVIÇO OH
Espaço Cultural Sérgio Porto
Endereço: Rua Humaitá, 163 - Humaitá
Data: 15/07/2009 Horário: 19h
Preço: R$ 4
Classificação: Livre
Informações: 21. 2266.0896

9 de jul de 2009

"[...] A vida é apenas uma sombra ambulante, um pobre cômico que se empavona e agita por uma hora no palco, sem que seja, após, ouvido; é uma história contada por idiotas, cheia de fúria e muita barulheira, que nada significa".

Crítica - Som e Fúria: qualidade e diversão garantidos

Há quanto tempo que eu não me entusiasmo com um trabalho produzido para televisão! Põe tempo nisso... Este SOM E FÚRIA, que está sendo exibido atualmente na Globo, me motivou a assistir televisão novamente! Me fez olhar para o relógio, nesta quarta feira à noite, e desejar a morte de todos os jogadores de futebol e de todos os narradores esportivos - principalmente daquele chato-mor, que acredita carregar em sua voz, o grito emocionado do brasileiro médio e semi-alfabetizado - ávido para que aquela transmissão acabasse logo, e que eu pudesse assistir ao seriado, sentado na minha cadeirinha, beliscando umas azeitonas, ou, à moda Hommer Simpson, relaxando e bebendo uma cervejinha, sem me importar com frio que tem feito ao caír da noite... É a primeira vez que vejo Shakespeare sendo tematizado na televisão, e vou mais além, nunca vi a dureza, os transtornos, a vaidade, as frustrações, tudo que circunda a estrutura do fazer teatral sendo representado na sua integridade, na sua inteireza, sem falsas representações. A linguagem do seriado, na simplicidade com que o enredo é conduzido, sem hermetismos de estilo (ao contrário das últimas produções dramaturgicas exibidas no horário) permite que se faça televisão no teatro e vice-versa, encerrando no Teatro Municipal de São Paulo a metáfora do palco como mundo contemporâneo, onde todos os personagens-atores se preparam para encenar Hamlet. Felipe Camargo brinca em cena. Está mais do que claro que este é um dos grandes papéis de sua carreira. Aliás, o elenco desta microssérie foi escolhido à dedo.Som e Fúria é o grito pela renovação do repertório televisivo, que insiste em nos empurrar, guela abaixo, as mofadas e engessadas novelas (sombras ambulantes, histórias contadas por idiotas) em seus tradicionais horários e que nada significa.