26 de ago. de 2008
25 de ago. de 2008
A quem interessar, possa...
7 de ago. de 2008
Un Homme et Une Femme - Claude Lelouch (1966)
Eu ODEIO casais felizes, acho que a felicidade um TÉDIO sem fim e não acredito no amor eterno ou num casamento duradouro. Me dói mais ainda o discurso de quem está apaixonado... Arggggg!!!! Mas, convenhamos, quando a gente vê uma cena como esta, não dá vontade de sair por ai amando...
6 de ago. de 2008
Bye Bye Life - "All That Jazz" - 1979
4 de ago. de 2008
Crítica - Como me tornei um estúpido: texto inteligente e encenação competente
O que levaria um indivíduo profundamente inteligente, mas com tendências depressivas, a assumir uma atitude radical de, da noite para o dia, querer se tornar um exímio e completo ignorante? E se esta pessoa em questão é um jovem, na faixa dos seus vinte e cinco anos de idade, que por causa dessa enorme sapiência e leitura apurada do mundo, apresenta-se como um idoso de espírito?
Questionamentos como estes assombram e perturbam o personagem Antonin no espetáculo Como Me Tornei Um Estúpido, em cartaz no Café Cultural em Botafogo. Inspirado no romance do francês Martin Page, esta comédia acompanha a trajetória pela qual o problemático protagonista percorre, a fim de tornar-se literalmente um estúpido, pois Antonin acredita que sua profícua intelectualidade o afasta das demais pessoas que o cercam, decidindo a sofrer, na própria pele, o carma vivenciado por aqueles que se embriagam, que decidem se suicidar ou que procuram outra profissão na vida, diferentemente daquela que estudou e se especializou na universidade, ocupação esta definida pelo próprio Antonin como estúpida.
O conjunto da encenação é bastante simples, adequado ao pequeno espaço onde é representado. A transposição do texto literário ficou a cargo de Morena Cattoni, também diretora do espetáculo, que optou por não adequar o romance de ficção ao padrão formal de um texto dramático tradicional (caracterizado pela construção de personagens determinados psicologicamente e que possuam um discurso definidor de suas personalidades). No interior da cena, a narração dos episódios misturam-se aos instantes dramatizados pelos diálogos. Os atores revezam-se na enunciação da narrativa, ora falando diretamente para o público, ora introduzindo-a na ação cênica dos personagens. O relato e a vivência deste relato estão distribuídos de forma harmoniosa.
Como o lugar teatral é limitado, a definição do espaço cênico se dá pela manipulação de cubos usados pelos atores na representação. Não há um cenário específico. Antonin transita por um bar, onde decide, sem resultado, tornar-se alcólatra; pratica um curso que ensina como se tornar um suicida de sucesso (um dos melhores quadros do espetáculo) e decide procurar uma namorada numa agência de relacionamentos. Isto só para citar alguns exemplos. Outros adereços cênicos, assim como certa indumentária que auxilia na composição do figurino também ajudam a determinar a situação vivenciada pelo protagonista.
Os quatro atores que dão vida aos diversos personagens do espetáculo são Fred Araujo, Julia Deccache, Marcelo Frankel e Vívian Queirós. Todos eles revezam-se no papel de Antonin, impregnando-lhe caracteres diferenciados. Fred Araújo é o que melhor encarna o protagonista, mostrando intensidade e forte presença de palco. A mesma postura o possui quando interpreta papéis menores. Julia Deccache está brilhante no papel da professora do curso de suicídio. Marcelo Frankel apresenta, no conjunto da representação, um fraco domínio de modulação vocal. Seu Antonin é por vezes monocórdio. Pode ser que, durante o tempo em que a peça estiver em cartaz, ele encontre o colorido, a variação necessária que as falas do protagonista precisam ter. Vivian Queiroz mantém atuação discreta. Sua versão de Antonin, assim como seu desempenho nos papéis secundários são satisfatórios. Ressalvas à parte, o entrosamento entre eles permite o bom andamento do espetáculo, prendem a atenção da platéia, assim como obtém as piadas no tempo certo. Méritos também da direção do espetáculo.
A predileção por encenar textos não escritos especificamente para o teatro é sempre um desafio para aqueles que se propõem a fazê-lo. A escolha do que vai ser levado à cena requer uma atenção redobrada na hora de transpor de um gênero para o outro. Mesmo com as limitações que o espetáculo enfrenta, a peça é uma boa pedida para quem quiser se divertir desfrutando de um texto divertido e inteligente.
2 de ago. de 2008
Crítica - Mario Bortoloto no Rio de Janeiro
Maldito, marginal, underground, a passagem do ator e dramaturgo paulista Mario Bortoloto, que ficou em cartaz no Teatro Ziembinski durante quatro semanas com a 2ª Mostra Cemitério de Automóveis, com os espetáculos Chapa Quente, Efeito Urtigão, Kerouac e A Queima Roupa, despontou num momento necessário em que paira sobre esta caretíssima temporada carioca uma certa padronização de gêneros teatrais cujas fórmulas, já conhecidas por todo público, são garantias de sucesso absoluto e se estendem por anos e anos e anos.

Esta não é a primeira vez que a trupe toma de assalto o teatro localizado no tradicional bairro tijucano. Em 2005 eles estiveram aqui apresentando espetáculos como O Que Restou do Sagrado e Getsêmani, para citar dois exemplos. A dramaturgia de Bortoloto é visceral, violenta. Seus personagens são tipos quase inumanos, grotescos, sem qualquer espaço pra divagações do tipo moral, que vivem numa metrópole onde o lema de vida é: cada um por si e Deus por todos. Nem o Todo Poderoso sequer tem noção do leão que seus filhos matam, diariamente, para conseguir o aval da sobrevivência.
Ali, o palco serviu de tribuna para os lavadores de carro, policiais corruptos, mauricinhos e patricinhas, ex-detentos que saem pior do que quando entraram na penitenciária, pilantras disfarçados de trabalhadores, traficantes, todo núcleo que compõe sempre as melhores páginas policiais dos jornais e noticiários de tv especializados no assunto. É interessante notar como estes personagens parecem habitar, todos eles, o mesmo bairro, ou o mesmo prédio caíndo aos pedaços, ou o mesmo pé sujo, com se eles se conhecessem mesmo de vista ou se esbarrassem em alguns momentos de suas vidas. Considero a visita de Mario Bortoloto mais uma vez necessária pra quebrar a monotonia cor de rosa dos nossos palcos. Precisamos de mais rock'nroll na veia. Precisamos ser mais audaciosos nos temas e nos assuntos tratados. Esperemos ansiosos uma terceira mostra desse cara que é o hardcore do teatro brasileiro atual.

