6 de ago. de 2008

Bye Bye Life - "All That Jazz" - 1979

Este é o verdadeiro show da morte... Último musical da carreira de Bob Fosse, All That Jazz: O Show Deve Continuar... O resto é silêncio!!!!!

4 de ago. de 2008

Crítica - Como me tornei um estúpido: texto inteligente e encenação competente

O que levaria um indivíduo profundamente inteligente, mas com tendências depressivas, a assumir uma atitude radical de, da noite para o dia, querer se tornar um exímio e completo ignorante? E se esta pessoa em questão é um jovem, na faixa dos seus vinte e cinco anos de idade, que por causa dessa enorme sapiência e leitura apurada do mundo, apresenta-se como um idoso de espírito?

Questionamentos como estes assombram e perturbam o personagem Antonin no espetáculo Como Me Tornei Um Estúpido, em cartaz no Café Cultural em Botafogo. Inspirado no romance do francês Martin Page, esta comédia acompanha a trajetória pela qual o problemático protagonista percorre, a fim de tornar-se literalmente um estúpido, pois Antonin acredita que sua profícua intelectualidade o afasta das demais pessoas que o cercam, decidindo a sofrer, na própria pele, o carma vivenciado por aqueles que se embriagam, que decidem se suicidar ou que procuram outra profissão na vida, diferentemente daquela que estudou e se especializou na universidade, ocupação esta definida pelo próprio Antonin como estúpida.

O conjunto da encenação é bastante simples, adequado ao pequeno espaço onde é representado. A transposição do texto literário ficou a cargo de Morena Cattoni, também diretora do espetáculo, que optou por não adequar o romance de ficção ao padrão formal de um texto dramático tradicional (caracterizado pela construção de personagens determinados psicologicamente e que possuam um discurso definidor de suas personalidades). No interior da cena, a narração dos episódios misturam-se aos instantes dramatizados pelos diálogos. Os atores revezam-se na enunciação da narrativa, ora falando diretamente para o público, ora introduzindo-a na ação cênica dos personagens. O relato e a vivência deste relato estão distribuídos de forma harmoniosa.

Como o lugar teatral é limitado, a definição do espaço cênico se dá pela manipulação de cubos usados pelos atores na representação. Não há um cenário específico. Antonin transita por um bar, onde decide, sem resultado, tornar-se alcólatra; pratica um curso que ensina como se tornar um suicida de sucesso (um dos melhores quadros do espetáculo) e decide procurar uma namorada numa agência de relacionamentos. Isto só para citar alguns exemplos. Outros adereços cênicos, assim como certa indumentária que auxilia na composição do figurino também ajudam a determinar a situação vivenciada pelo protagonista.

Os quatro atores que dão vida aos diversos personagens do espetáculo são Fred Araujo, Julia Deccache, Marcelo Frankel e Vívian Queirós. Todos eles revezam-se no papel de Antonin, impregnando-lhe caracteres diferenciados. Fred Araújo é o que melhor encarna o protagonista, mostrando intensidade e forte presença de palco. A mesma postura o possui quando interpreta papéis menores. Julia Deccache está brilhante no papel da professora do curso de suicídio. Marcelo Frankel apresenta, no conjunto da representação, um fraco domínio de modulação vocal. Seu Antonin é por vezes monocórdio. Pode ser que, durante o tempo em que a peça estiver em cartaz, ele encontre o colorido, a variação necessária que as falas do protagonista precisam ter. Vivian Queiroz mantém atuação discreta. Sua versão de Antonin, assim como seu desempenho nos papéis secundários são satisfatórios. Ressalvas à parte, o entrosamento entre eles permite o bom andamento do espetáculo, prendem a atenção da platéia, assim como obtém as piadas no tempo certo. Méritos também da direção do espetáculo.

A predileção por encenar textos não escritos especificamente para o teatro é sempre um desafio para aqueles que se propõem a fazê-lo. A escolha do que vai ser levado à cena requer uma atenção redobrada na hora de transpor de um gênero para o outro. Mesmo com as limitações que o espetáculo enfrenta, a peça é uma boa pedida para quem quiser se divertir desfrutando de um texto divertido e inteligente.

2 de ago. de 2008

Crítica - Mario Bortoloto no Rio de Janeiro

Maldito, marginal, underground, a passagem do ator e dramaturgo paulista Mario Bortoloto, que ficou em cartaz no Teatro Ziembinski durante quatro semanas com a 2ª Mostra Cemitério de Automóveis, com os espetáculos Chapa Quente, Efeito Urtigão, Kerouac e A Queima Roupa, despontou num momento necessário em que paira sobre esta caretíssima temporada carioca uma certa padronização de gêneros teatrais cujas fórmulas, já conhecidas por todo público, são garantias de sucesso absoluto e se estendem por anos e anos e anos.



Esta não é a primeira vez que a trupe toma de assalto o teatro localizado no tradicional bairro tijucano. Em 2005 eles estiveram aqui apresentando espetáculos como O Que Restou do Sagrado e Getsêmani, para citar dois exemplos. A dramaturgia de Bortoloto é visceral, violenta. Seus personagens são tipos quase inumanos, grotescos, sem qualquer espaço pra divagações do tipo moral, que vivem numa metrópole onde o lema de vida é: cada um por si e Deus por todos. Nem o Todo Poderoso sequer tem noção do leão que seus filhos matam, diariamente, para conseguir o aval da sobrevivência.











Ali, o palco serviu de tribuna para os lavadores de carro, policiais corruptos, mauricinhos e patricinhas, ex-detentos que saem pior do que quando entraram na penitenciária, pilantras disfarçados de trabalhadores, traficantes, todo núcleo que compõe sempre as melhores páginas policiais dos jornais e noticiários de tv especializados no assunto. É interessante notar como estes personagens parecem habitar, todos eles, o mesmo bairro, ou o mesmo prédio caíndo aos pedaços, ou o mesmo pé sujo, com se eles se conhecessem mesmo de vista ou se esbarrassem em alguns momentos de suas vidas. Considero a visita de Mario Bortoloto mais uma vez necessária pra quebrar a monotonia cor de rosa dos nossos palcos. Precisamos de mais rock'nroll na veia. Precisamos ser mais audaciosos nos temas e nos assuntos tratados. Esperemos ansiosos uma terceira mostra desse cara que é o hardcore do teatro brasileiro atual.

1 de ago. de 2008

Crônica - O Eterno Retorno do Batman

Ainda não assisti ao novo filme do Batman que está em cartaz nos cinemas. Alias, eu confesso a vocês que nunca fui fã de nenhum destes heróis em quadrinhos que, de uns tempos pra cá, têm ganhado espaço na tela grande. Lá longe, nas poeiras de minhas reminiscências televisivas, lembro-me do seriado do Incrível Hulk, mas o meu interesse ficou perdido por lá mesmo. Não me tornei nem um adolescente fissurado, nem um adulto nostálgico. Na verdade, só depois de burro velho é que fui me interessar pela saga dos mutantes dos X Men - isso depois de ter assistido ao segundo filme da série. Sim, porque eu não assisti a série na ordem cronológica: o primeiro, depois o segundo, depois o terceiro. Pelo contrário! Também só fui conferir a película por dois motivos: Um, porque eu, na época, trabalhava no cinema do Shopping Iguatemi na ingrata função de auxiliar de portaria - ou lanterinha se preferir. Então, entre uma sessão e outra, lá estava eu, conferindo as peripércias de Volverine e companhia, se bem que eu torcia mais para o Magneto e sua trupe de mutantes malignos. Dois, eu li a crítica muito bem escrita e elogiosa do Rodrigo Fonseca quando ele ainda escrevia pro JB. Pronto, só por causa disso, só pelas quatro ou cinco estrelas que o filme ganhara dos enfurecidos críticos ou só porque o bonequinho estava aplaudindo de pé, eu me achei no direito de engolir o orgulho e encarar um pipocão hollywodiano, numa sala abarrotada de adolescentes idiotas que não costumam se comportar num cinema. Juntei-me aos selvagens em plena efervecência hormonal e no fim estava gritando e tacando pipoca no primeiro cabeção que me atrapalhasse a visão. Hoje, sempre que posso, paro e assito os desenhos da série que passam na televisão, no ingrato horário do inicio da tarde. Mas, voltando ao Batman! Eu me lembro que, quando eu era criança (se não me falha a memória, o ano era 1986 ou 87) no SBT - na época era TVS - o seriado do homem morcego - aquele dá década de 60, com o Adam West - o adiposo Batman - e Burt Ward no papel de Robin - revezava o horário da noite com o já idoso Chaves. E entre um pow, um sock, um slap da vida, deixei de lado o interesse em acompanhar suas andanças pelas noites perigosas e cheias de ciladas de Gothan City. Mas parece que o interesse está voltando. E é engraçado como os nossos renomados formadores de opinião têm comentado sobre este novo filme que estreou recentemente em circuito. Lendo hoje a coluna do Veríssimo, me deparo com uma frase do tipo: "Está aí, um super herói do iluminismo". Sua coluna de quinta feira passada (31/07) intituladaPoderes é necessariamente uma análise aprofundada na psiquê do herói noturno, divagando entre outos assuntos, sobre filosofia, moral e ética... Acho que já descobri o que fazer neste fim de semana.

22 de jul. de 2008

Crítica - Resistir é Preciso – O trabalho de Adaílton Medeiros à frente do Ponto Cine em Guadalupe.

O tema sobre distribuição de filmes nacionais em salas de exibição afastados dos grandes centros ou de bairros com maior acesso à bens culturais (leia-se Zona Sul) do Rio de Janeiro é assunto que rende discussões intermináveis.

Não estou querendo com isso prolongar tal discussão, mas sobre a reportagem lida no jornal O Globo[1] desta terça feira, cuja primeira página do Segundo Caderno tratava-se de uma resposta do Sr. Adaílton Medeiros ao cineasta Murilo Sales, o qual sugeria a criação de salas digitais pelo Brasil, desconhecendo que o único espaço com tal recurso em nossa cidade é o Ponto Cine, sala de projeção localizado no bairro de Guadalupe – Murilo se manifestara à respeito, afirmando que sabia da existência do espaço, porém desconhecia o interesse do próprio administrador do cinema de lançar o filme em sua sala, confirmando logo em seguida, o lançamento de "Nome Próprio" para sexta feira, dia 25/07/2008 – é importante deixar registrado o reconhecimento do trabalho solitário de um indivíduo que, assim como uma voz solitária perdida na imensidão da mediocridade, batalha de forma desinteressada pela qualidade de vida de uma parcela da sociedade carioca desprovida de cultura através do cinema, buscando fomentar nesta platéia específica, o gosto e o hábito de assistir e prestigiar produções nacionais fora dos padrões convencionais que a grande indústria do entretenimento popular brasileira (leia-se Globo Filmes), atualmente tenta produzir articulada com a estética da indústria hollywoodiana.

Esta resposta escrita pelo próprio Adaílton ao artigo de Murilo Sales é necessária para que nós possamos refletir como realmente vale a pena ter força de vontade e uma parceria competente para levar à cabo esse tipo de empreitada, que só dá resultado de médio à longo prazo, vide o exemplo do Grupo Nós do Morro, que ao longo destes vinte anos de estrada e perseverança, conseguiu formar uma platéia cativa na própria comunidade do morro do Vidigal, onde a companhia foi gerada, além de ter o reconhecimento da crítica e do grande público freqüentador dos nossos palcos à cada novo trabalho estreado.


Além do Ponto Cine, o único pólo de diversão e entretenimento dos moradores de Guadalupe é a Lona Cultural Terra. Os moradores dependem da programação que lhes são oferecidos, sem ter muito poder de escolha. A partir daí, quem quiser acompanhar uma temporada teatral de grande sucesso ou assistir um filme mais cultuado, que não tem espaço nas salas de cinema dos shoppings centers locais, são necessariamente obrigados à fazer o longo percurso de se deslocar das suas casas até o Centro ou Zona Sul.


Sobre os atuais "múltiplex" estruturados para dentro dos shoppings, algumas considerações devem ser feitas. O primeiro ponto a ser discutido trata-se do preço dos ingressos cobrados nos cinemas que abrange a grande população suburbana. Com a proliferação dos grandes centros de loja, os tradicionais cinemas de rua modificaram seu perfil, se adequando ao novo espaço e à demanda de quem o freqüenta, desdobrando-se em numerosas salas, abrigando a maior quantidade de público, assim como determinado segmento de filme que os agrade, os pipocões hollywoodianos. A grande questão é que, hoje, estas salas de exibição cobram praticamente o mesmo preço que os cinemas da Zona Sul cobram na venda de seus ingressos. Quem for assistir o filme Hancock, protagonizado pelo astro Will Smith, no UCI do Norte Shopping ou no Knoplex do Nova América, por exemplo, vai ter que desembolsar de R$17 a R$19 reais, nos fins de semana, preço mais caro que o ingresso vendido no Cinemark de Botafogo – concorrente mais direto – cujo valor da sessão varia de R$15 à R$17 reais. O mesmo filme pode ser visto no vizinho Unibanco Artplex, onde cobra, atualmente, R$16 reais. Outro exemplo é o megasucesso Batman, onde o elevado preço do ingresso, no Shopping Tijuca, equivale ao do tradicionalíssimo Roxy em Copacabana, que cobra R$15 reais até às 17h e R$18 após este horário. É necessário afirmar que há lugares no subúrbio do Rio onde podemos assistir os mesmos filmes citados, com preços mais em conta, porém, mesmo assim, cinema de shopping é caro, e o que eu quis focar com estes levantamentos descritos é que há áreas de concentração, na mesma Zona Norte, onde o público paga o mesmo e caríssimo ingresso vendido como se estivesse em alguma sala de exibição da Zona Sul carioca. Em outras palavras, diversão de classe média.


O segundo ponto refere-se ao espaço cedido por estas “gigantes” distribuidoras ao mercado nacional. É raríssimo deparar-nos com filmes nacionais de produções medianas ou com poucos recursos para lançamentos, em mídia impressa ou televisiva, que conseguem entrar em cartaz nestes cinemas voltados basicamente para o consumo cinematográfico considerado digestivo. Quando conseguem, tem a duração estipulada para uma semana somente. Alega-se que o prejuízo é grande, ou que determinado tipo de público não está habituado a assistir certos filmes. Então, pré julga-se que, de alguma localidade pra cima, ou seja, quanto mais se afastado do Centro ou da Zona Sul carioca não há vida inteligente ou que não há nenhum ser humano que goste de contemplar determinadas obras que primam por uma atenção mais apurada.


Assim que Murilo Sales esclareceu que, o que aconteceu entre ele e Adaílton Medeiros foi uma tola falta de comunicação, permitindo desde já o lançamento do seu mais recente filme, estrelado por Leandra Leal, baseado na obra de Clarah Averbuck neste sexta feira próxima, em seu cinema de Guadalupe, que outros cineastas se entusiasmem e procure o local para divulgar seus filmes, criar diálogos com aquela platéia, possibilitando a troca, a discussão, a cultura sendo exercida de modo democratizado e cidadão.


Creio que o caminho para esta situação seja a propagação de mais Pontos Cine em diversas áreas da cidade, ou pelo menos que os espaços cinematográficos se tornassem mais híbridos. Será que este tipo de pensamento ainda é considerado utópico? No bairro do Méier, a indefinição sobre o destino do Imperator continua rendendo pano pra manga. Agora, nas mãos da prefeitura, nada se sabe sobre uma atual reabertura da casa. E assim é tratada a coisa pública pelos nossos governantes.


[1] MEDEIROS, Adaílton. Arroz, feijão e cinema. O Globo, Segundo Caderno, 22/07/2008.

25 de jun. de 2008

Crônica - Da tentativa de retornar à antiga casa... O meu blog é o meu reino.


Há quanto tempo que não sento em frente ao meu computador para atualizar o meu blog. Em agosto, pontualmente, vai fazer um ano que postei meu último texto, que durante todo este tempo, foi lido por, somente, três pessoas. Posso dizer com todo meu orgulho que não leram por algum tipo de influência minha. Longe disso. Posso descrever pra vocês, com todo requinte de detalhes, a minha alegria quando notei que haviam postado três recados por livre e espontânea vontade. Pra mim foi o Oscar. Alguém que eu não conheço sabe que eu existo e que escrevo. Uma pessoa que não sei nem onde mora, elogiou a minha escrita e desejou ler mais e mais e mais... Exageros à parte, lá se vai um ano. Agosto. Por isso que, agora, pretendo conduzir as coisas de um modo menos relapso. E minhas pretensões para estes próximos meses serão de muito trabalho e atualizações constantes. Confesso a vocês que a preguiça é minha pior inimiga. Tento lutar contra ela arduamente. Acho que já venci uma etapa, pois mesmo com uma enorme dor de cabeça que sinto agora, aliado a uma garganta que resolveu inflamar, justamente há dois dias da apresentação das cenas da disciplina Interpretação III na UNIRIO, onde curso graduação em Artes Cênicas - e nesta sexta feira apresentarei um fragmento da peça Senhorita Julia, do sueco August Strindberg, um exemplo de peça realista-naturalista - mesmo com todos estes empecilhos, aqui estou, firme... talvez... com uma vontade louca de acabar e ir pra minha cama durmir. Dor de garganta maldita... Quem sabe, agora que abri minha conta no Myspace, possa atingir meu objetivo? Qual é ele? Saberem que eu existo.

24 de ago. de 2007

Conto nº 8 - A varanda

Apartamento, número 306 de um bairro carioca. Silêncio... Dois amigos estão na sacada de um prédio de onde contemplam as últimas cores do dia que já se finda. Não se olham! Não se falam! Tempo... Estão fumando seus cigarros. De lá de cima, ouvem o leve ruído que vem do trânsito. Nada que os incomodasse! Estavam longe dali, plenos de tranquilidade. Já era hora de um deles ir embora, mas ninguém tinha pressa. Pelo contrário, resolveram dividir ainda mais aquele instante juntos. Sempre falantes os dois, ali não pronunciaram uma só palavra. Nenhuma. Não sentiram necessidade. Pra que falar? Se ambos tivessem tido a idéia de fazer uma pergunta para o outro... mas não, não queriam... Não queriam saber em que pensavam. Foram para a estreita varanda contemplar... Só isso! O tempo que durou o encontro foi curto, porém, intenso, a ponto de querer eternizar o momento presente em forma de narrativa. Penso em imagens de cinema europeu... Crio formas sobre o vazio daquele tempo-espaço, preenchido pela fumaça do cigarro que demorava na mão de um deles, no suporte fixo da página em branco. Foi exatamente o tempo do cigarro queimar. Já foi. É passado! O contato transformou-se em experiência. Agora só lhes resta o cantinho da memória... Acabou o cigarro. O amigo parte. Entra no elevador. Foi embora.

23 de ago. de 2007

Crônica - Lembranças de mais um reencontro

A amizade que sente saudade. O abraço forte do reencontro. O esforço para que tudo saia exatamente conforme o planejado: Não pode chover. A bebida deve estar estupidamente gelada! Preocupações com o conforto, o bem estar dos convidados etc... Neste local - onde havia muita gente jovem, com cabelos ao vento (citando uma canção da Elis Regina), com a esperança no rosto de que boas novas irão ouvir e brindar as vitórias conquistadas - estavam sedentos de felicidade. Queriam simplesmente se ver, se tocar, beber, aproveitar um fim de semana ensolarado em pleno inverno carioca. Realizava-se ali mais uma renovação dos votos de amizade, que tanto relutamos para não cair no esquecimento. Não há mais um dia-a-dia, um "até amanhã". Há sim um mundo louco que tenta nos derrubar, nos afastar, nos ludibriar com falsas esperanças. Se não temos à nossa volta estas pessoas com as quais escolhemos como nossa segunda família, que são os amigos - aqueles que provam serem verdadeiros em seus sentimentos - como seguir adiante? como ser feliz? E eu não admito um futuro amargo. Eu rejeito a hipótese de ter que viver na desconfiança. Eles só querem tirar fotos e dançar, dançar até suarem seus corpos colados aos nossos, dançar até perderem a noção do que é ter noção, é levantar a perna pro alto, é mostrar o decote, é sentar no colo - com ou sem malícia... é nos acolher sem pré-conceitos estabelecidos. Sabemos o que queremos, mas as vezes, nos esquecemos o local em que queremos. Contamos com uma forte aliada: a sorte. As vezes, tal qual um anjo da guarda que resolve se afastar rapidamente, ela também nos deixou durante um minuto, mas as fotos estão ai, correndo pela internet, pra mostrar que foi um dia inesquecível.